A saudade me fez escrever


Ei, lembra de mim? Sou eu, aquela garota que você costumava chamar a noite, no meio do trabalho, só pra dar umas risadas. Aquela que escutava suas piadas sem graça, mas ria mesmo assim. Talvez pelo efeito dessa atmosfera do amor que sua voz causava. Vai saber. Eu sou aquela que dormia e acordava pensando em você. Aquela que falava coisas sem sentido o tempo inteiro e agia feito boba perto de você. E, bem, você parecia gostar.

Sempre senti um medo danado de te perder de novo. Mas de alguma forma a segurança do seu abraço me fazia esquecer qualquer insegurança. Lembra dos nossos abraços? Eu odiava quando você acabava com eles. Gostava tanto de ficar ali, sentindo seu cheiro. Saudades. É isso.

Eu costumava dizer que você era a minha realidade. Que, finalmente, eu havia parado de me apaixonar por personagens criados pela minha imaginação e conhecido a beleza que é amar algo real. E isso me fazia dançar no meio da noite ouvindo uma música boba de comercial da natura. Confesso que as vezes até me fazia chorar de felicidade. Sabia que eu nunca tinha chorado de felicidade? Acho que devo te agradecer por isso.

Nunca soube lidar com despedidas. Não vai ser fácil, ah, não vai mesmo. Você se tornou objeto de desejo de todos os meus pensamentos desde aquele dia em que nos conhecemos. Às vezes penso que tudo seria mais fácil se eu tivesse ficado em casa naquela sexta. Mas também acho que valeu a pena o aprendizado. Nunca mergulhar por inteiro. Conhecer melhor o terreno pra depois se apaixonar. Agora eu sei.

Sinto falta de saber da sua vida por você mesmo e não por fotos no Facebook. Dos seus gostos esquisitos. Sinto falta de quando você me procurava só pra saber como foi meu dia ou aquela saída chata do fim de semana. Sempre fingia ter me divertido muito, quando na verdade havia ignorado todos os caras chatos da boate e pensado em você até quando tocava um funk sem sentido.

Acho que o pior dos erros é acreditar cegamente em algo. Ter certeza. Certeza demais nunca foi bom. Eu tinha certeza de que você era diferente quando te olhava nos olhos e você largava aquele sorriso fofo. Ou quando você me dava a mão e beijava minha testa. Sei lá, sabe. Essas coisas que transmitem paz, segurança.

Você sempre foi meu porto seguro e agora não sei mais pra onde ir. Talvez seja melhor não ir a lugar algum. Caminhar sem suas mãos nas minhas é um tanto quanto difícil.

Comments Closed

Comentários estão fechados.