Quase amor da minha vida

Quando tudo acabar espero ter realizado uma porcentagem significativa da minha lista de afazeres. Espero que passe um filme na minha cabeça e que você esteja nele, nem que só por alguns milésimos. Mas pelo menos saberei que te vi antes de fechar os olhos para sempre.

Se pudesse gostaria de voltar no dia em que nos conhecemos, no banco da praça, e te daria meu número, sem ao menos você pedir, apenas arrancaria uma parte do ticket do estacionamento e anotaria meu número.

Você estava perdido, e eu, desnorteada. Falar com estranhos não é o meu forte. Sem saber o que fazer, apontei para o leste, quando você deveria ir para o sul. Mas sozinha, pensei que você era grande o suficiente para ter um mapa. Nem que fosse um mapa astral. E olha, eu não sei nada de mapa astral.

Você partiu, e mesmo com a minha grosseria, deu um sorriso. Seus olhos brilhavam. Pensei em pedir o teu nome, mas você falou primeiro “obrigado, nos vemos em breve”. O breve nunca chegou. Os abraços não aquietaram em momentos de tensão, beijos não foram dados, palavras não foram ditas, números não foram trocados. Sorrisos foram deixados para trás, lágrimas foram cessadas. Você foi a minha paixão de cinco minutos mais bonita.

Mas sabe, o banco da praça continua ali. Não pense que fui todos os dias a sua procura naquele banco, pois não o fiz. É que sabe, romantismo não é algo que levo a sério. Mas fique sabendo que toda vez que meu sorriso reflete na janela do ônibus, lembro do teu. Sorriso do quase amor da minha vida.

Comments Closed

Comentários estão fechados.