Clique para ouvir Hold back to river – James Bay para se sentir mais confortável enquanto lê o texto. <3

Estava com meus fones de ouvido quando o modo aleatório selecionou aquela música. Aquela que você dizia ser a nossa. O toque inicial trouxe a tona toda saudade que escondo em algum canto do meu peito.

Eu estou bem, aprendi a decorar essa frase e digo ela da maneira mais mecânica possível, para evitar os olhares de pena, conversas sobre recomeços e conselhos não requisitados.  Mas pelos próximos quatro minutos de musica eu posso sentir sua falta, eu posso deixar meu coração saltitar de saudades de você.

Pelos próximos quatro minutos eu posso dizer para mim mesma bem baixinho que sua falta é um buraco no meu estomago, eu posso confessar sem culpa que eu me visto de saudades todos os dias e carrego-a até os encontros casuais, onde procuro nos pobres moços sentados a minha frente o olhar que só você sabia me lançar.

Posso dizer que os planos que anotamos juntos num pedaço de papel ainda estão guardados, eu não sei como jogar aquilo fora, eu não sei como te jogar pra fora de mim. Só enquanto a musica tocar eu posso deixar que essa bagunça interna volte a tona e me permitir chorar um pouquinho.

Tenho tentado ser forte o tempo todo, escondendo qualquer dorzinha que queira aparecer, fixando um sorriso amarelo no rosto, disfarçando quando alguém diz seu nome, engolindo o choro, quando sem querer, você passa pela minha cabeça. Mas é sufocante sabe? É sufocante seguir com esse pensamento que você foi a coisa mais bonita que eu tinha sentido até aqui e que eu preciso continuar sem essa a coisa mais bonita.

A maneira como as pessoas vão embora de nossa vida, sempre fica. Eu sei que o modo aleatório vai acertar na nossa musica outras vezes, eu sei que hora ou outra eu vou me deparar com alguma foto sua, eu sei que mesmo com toda dedicação do mundo em te esquecer eu vou acabar lembrando, portanto eu me permiti sofrer a sua ausência pelos quatro minutos de musica e me questionar pela milésima vez se poderia ter sido diferente. Mas a musica acabou e nosso amor também.

A sua falta volta ficar escondida dentro da caixinha em que te guardei e quem sabe na próxima vez em que o aleatório errar ao tocar a nossa musica, ela já não seja mais nossa, e esteja por ai sendo a musica de algum outro casal. Quem sabe eu já consiga ouvi-la sem sentir nenhuma dor.

É, quem sabe?

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