VÍTIMA 1
Ele disse que era eu. Disse que me amava, que cuidaria de mim e jamais me deixaria ir embora. Só que foi ele quem partiu… partiu levando o meu coração em pedaços. Arrancou do meu peito sem se importar do quanto ia doer. Sem se importar com o vazio que eu ia sentir por tê-lo amado tanto. Ele brincou comigo como deve ter brincado com tantas outras por aí. Quando fecho os olhos, penso e sinto o vazio que grita dentro do peito. Na minha memória, vem a imagem dele enfiando as mãos e arrancando o coração lá de dentro. Pisando nele sem dó enquanto dizia que eu era apenas um passa-tempo. Um brinquedo temporário. Ele jogou o meu amor fora e mesmo depois de ter ido embora, a dor permanece e aos poucos me devora. Como eu faço para ela ir embora?

VÍTIMA 2
Me vi parada no meio fio enquanto muitas pessoas gritavam em meu ouvido para eu voltar. Eram só dois passos para trás, e eu deixaria você ir.
Mas eu resolvi ser teimosa e ficar entre a escolha de permanecer em pé ou cair em ruínas.
Eu escolhi a ruína. Eu escolhi você.
Dei um passo para frente e bloqueei todos os gritos me falando que iria cair. Mas será que eu já não estava no chão? Será que não estava no chão por todas as vezes que me deixei levar pelo seu sorriso e derrubei todos os muros que nos separavam?
Eu estava no limite e nada poderia me machucar mais do que já machucava. Engano meu.
Ali, naquele passo, embreagada pela paixão, assinei a minha sentença e corri até você. Corri até o meu fim.

VÍTIMA 3
Ele me manipulou, usou a minha solidariedade como uma cama para se deitar e depois me menosprezar. Ele roubou meu coração, sem remorso algum. Aposto que ele está vendendo meu órgão vital dentro de um potinho, com os dizeres:
CORAÇÃO FÁCIL DE ILUDIR. USEM, ABUSEM E APERTEM.
Está doendo muito, meu corpo está apodrecendo e eu não posso morrer com essa dor. Meus sentimentos mais puros estavam dentro dele. Agora só restaram raiva, rancor e tristeza. Eu quero amor. Isso me consome, me corrói, me mata. Por favor, o prendam. Eu preciso do meu coração e só ele pode devolver. Só ele pode me trazer de volta à vida. Me salvem, antes que seja tarde demais… eu imploro.

VÍTIMA 4
Ele me invadiu, eu não deixei ele entrar. Ele chegou depressa, rápido, arrancando tudo e tomando todo o espaço para si.
Quando dei por mim, estava roubada. Invadida. Completamente perdida.
É como se estivesse sob o efeito de algum alucinógeno, eu não conseguia parar, por mais que eu quisesse. Fiquei viciada em me viciar nele. Dia após dia. Segundo após segundo.
Eu juro. Já tentei de tudo. Ouvi músicas alegres, baixei um aplicativo de relacionamentos, conversei com minhas amigas e até mesmo o xinguei com a minha psicóloga. Mas não deu jeito.
Conto nos dedos quantas vezes já desisti de desistir. Uma. Duas. Três. Quatro.
Relembro a cor dos olhos dele. Castanho claro, como meu chocolate favorito. Relembro o primeiro beijo. E o segundo. E o terceiro. Relembro aquela primeira briga, e aquela primeira reconciliação. Relembro tudo o que foi bom. Esqueço o que foi ruim. E esqueço de desistir.

Por: Bruna Frotté, Stephanie Almeida, Mariane Schiming e Emanoel.

Comments Closed