730 dias. Dois anos que terminamos. Era uma terça-feira chuvosa, estava saindo do estágio e você me ligou. Disse que não queria mais continuar comigo e que estava maçante e chato viver ao meu lado. E jamais esquecerei você dizendo também que eu era infantil e precisava amadurecer. Doeu muito ouvir isso, juro. Meu mundo desabou ali e eu não tinha forças para tentar segurar. Meu rosto pareceu ter inveja do asfalto e foi alagado por lágrimas. Você encerrou a ligação com um “eu aceitei seus defeitos por muito tempo, o que ninguém conseguiria! Você nunca mais vai encontrar alguém como eu, tchau”. Bateu no meu peito sua praga e ficou.

Fomos felizes enquanto durou, pelo menos eu fui – em cima de uma mentira que você construiu. Foram dias lindos, buquês de girassóis e muito amor vindo do meu peito. Por isso, sofri tanto quando tudo acabou. Me fechei para o mundo, feito tatu quando se sente acuado. Nada tinha mais graça, o tempo para mim perpetuou chuvoso e nublado e meu coração procurava por você. Até a cama pareceu mais gelada sem você, sabe? Aí lembrei da sua citação “amadurecimento” e pensei que amadurecendo ia ter você de volta. Pulei da cama, peguei minha agenda e analisei o que tinha que amadurecer e descobri algo fantástico. Eu era uma fruta tão amadurecida que era demais para seu maracujazeiro tão podre. 

Aprendi a viver sem você, porque, meu anjo, a vida é feita de aprendizados. Aprendi dia após dia não falar tanto em você, a não pensar tanto em nós dois e começar a pensar e falar de mim. O mundo se abriu para mim e eu me abri para ele. Para quê falar de algo que venceu a validade e apodreceu? Inclusive, tenho que te agradecer por não ter dado tempo de apodrecer no seu maracujazeiro e quase ter virado maracujá de gaveta. 

Encontrei no meu caminho mais flores que pedras. Encontrei oportunidades e todas, eu abracei. Encontrei tudo que ainda não tinha encontrado. Inclusive, meu amor próprio. Fui vivendo o dia e pensando que surpresa o dia seguinte me reservava. E vrau. Vinha uma surpresa danada de boa. Encontrei tantos elogios pelo caminho que os seus defeitos apontados não me faziam cócegas. E meu lado infantil, que tanto te incomodava, que me ajudou a viver num looping eterno de brincar com a vida, a não levar tudo tão a ferro e fogo.

Eu aprendi depois de tanto tempo, que eu sou mais feliz sem você. Quem vive ao lado de alguém que só enxerga seus defeitos, te joga coisas terríveis na cara e não te respeita, não merece amor depositado. Velho clichê de dar amor a quem não merece. Óbvio que eu tenho mil defeitos, óbvio que não sou perfeita, mas existem coisas que não devem ser ditas com tanta dureza. E você foi bem covarde em não me dizer tudo isso pessoalmente. Você aproveitou meu momento mais frágil, em que você sabia que eu estava sozinha para vomitar tudo nos meus ouvidos.

Mas enfim, eu queria dizer que uma coisa você estava totalmente certo e eu jamais discordaria. Nesses 730 dias, eu nunca mais encontrei alguém como você…

Graças a Deus!

 

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23 invernos quentes feito verão. Sou fã do calor e do calor humano. Acredito que o amor quem pode mudar o mundo e é a nossa maior fonte de esperança. Leonina com ascendente em aries, falo mais que minha boca, escrevo mais que meus dedos. Viajo nas histórias que escrevo e nas que eu leio. Paulista de nascimento e mineira de coração. Ah e apaixonada em dar conselhos e sonha em um dia segui-los… Escrever é traduzir cada batida do coração. Prazer, sou tradutora delas.

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