Eu jurava que era amor. Todos ao redor também acreditavam nisso, mas a beleza que está por fora raramente se relaciona com a verdade de quem está por dentro. Na tela do computador todos são felizes e interessantes, e o nosso amor era de verdade para quem via nossa timeline recheada de declarações e fotos das nossas viagens. Para eles, éramos o casal perfeito que nunca brigava, o exemplo a ser seguido de relação duradoura e todos esperavam o nosso grande dia.

O que ninguém via eram minhas olheiras no domingo de manhã, depois de uma longa noite de insônia regada de insegurança e choros abafados no travesseiro. O que ninguém ouvia era sua voz ecoando na minha cabeça, insistindo em dizer que eu tinha sorte de ter você, porque não haveria ninguém nesse mundo para suportar alguém tão louca como eu.

O que seus amigos ouviam é que eu sou completamente maluca e histérica. O que ninguém sentia era a dor martelando dentro de mim, que no fundo sabia que nada disso estava certo, mas que acreditava estar destinada a viver assim, pois era o único “amor verdadeiro” que encontraria. E eu chorava de tanto ouvir você dizer que estava fazendo um favor ao ficar comigo, e eu acreditava.

Você sempre fez questão de se vangloriar de como era o namorado perfeito, que eu deveria dar glórias aos céus por ter alguém como você. Mas o que ninguém sabia é que eu me desculpava pelos seus erros e você me deixava carregar uma culpa que era toda sua. As justificativas para os seus xingamentos eram cada vez mais plausíveis, já que a causadora do seu estresse era eu.

O reflexo que eu via no espelho era de uma mulher com um batom vermelho chamativo demais para o seu gosto e um cabelo curto que não combinava para estar ao seu lado. Engolia calada e em seco todos os defeitos que você procurava e enfatizava em mim. Colocava um sorriso no rosto e vestia a roupa perfeita para dividir a vida com alguém que apagava todo brilho que havia nos meus olhos.

Dizem que quando você repete uma mentira várias vezes, você passa a acreditar nela. E eu aprendi isso da pior forma. Até que a vida te encosta na parede e você percebe que nunca foi a errada da história e não é só porque alguém diz que te ama que seja verdadeiro. Amor vai muito além de eu te amo. Não era amor quando você dizia que eu estava acima do peso. A gente custa a conseguir enxergar o mal que vive, mas quando percebe não há nada mais libertador do que se ver livre de algo que jurava não poder viver sem.

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