A frase do livro pequeno príncipe que diz: “Tu te tornas eternamente responsável pelo o que cativas” sempre me incomodou um pouco. Primeiramente, gostaria de dizer que eu amo o livro e todos os ensinamentos, mas essa frase separada que estampa milhões de objetos e é usada como legenda por um monte de gente, sempre me contrariou um pouco. Acredito que eternamente é muito tempo, muito tempo mesmo e ser eternamente responsável afetivamente por alguém, é um fardo pesado demais para nossos ombros carregarem.

Responsabilidade afetiva, no termo mais básico da coisa, é manter um dialogo honesto com quem você pode estar se relacionando, é fazer a honestidade é a base de nossas relações. Mas o que vejo por ai, é que as pessoas tem se equivocado, acreditando que responsabilidade afetiva é responsabilizar o outro pelo o que você sente, ai ajunta essa frase do pequeno príncipe que diz que somos eternamente responsáveis pelo o que cativamos, e pronto, está feito a cagada: pessoas que culpam o outro pelos seus sentimentos, ou pior, pela falta deles.

Veja bem, não estou dizendo que a culpa por se apaixonar é sua, que agora que você caiu na rede do amor que se resolva para sair dela sozinho, não é isso, mas me parece que temos essa necessidade de nomear nas histórias os vilões e os inocentes, ai quem se deixa cativar por alguém e não é correspondido acaba se culpabilizando aquele que não lhe correspondeu, como se ele fosse um vilão malvado, mas olha só, na grande maioria das vezes ao se tratar de relacionamentos, só há dois humanos tentando fazer o melhor e nem sempre conseguindo.

Você não é eternamente responsável por ninguém, pelo sentimento que – sem querer – causou em alguém, não é, liberte-se desse fardo. Você é sim eternamente responsável pelo seu próprio coração e por agir de forma honesta com todos que possam um dia querer morar nele. E só.

Responsabilizar o outro me parece muito cômodo, se tudo der certo ou se tudo der errado, você não teve nada a ver com isso, a responsabilidade era toda da outra pessoa. Esta na hora de mudar esses discurso e tornarmos autores de nossas próprias histórias, até mesmo das que não deram certo.

Pode parecer egoismo, talvez até seja, mas a sua saúde mental deve vir sempre em primeiro lugar. Você é responsável pelo que cativa? Sim. É responsável a ponto de abrir o jogo, ser sincero. Mas não a ponto de se obrigar a corresponder um amor que já acabou, que foi bonito um dia, mas hoje não é mais.

As pessoas costumam pensar que amam máquinas perfeitas ao invés de seres humanos. Seres humanos falham, têm inseguranças, medos, desistem. Seres humanos carregam milhares de responsabilidades e não precisam ter um amor fadado ao fim buzinando na sua mente o tempo todo “você é responsável por mim, ei, olha aqui”. Manipulação psicológica, sabe? Não é legal.

Até porque, olha só: se quem desistiu de você é responsável, você também é. E cobrar infelicidade alheia só pra conseguir manter a tua felicidade, é ser irresponsável.

Então que tal guardar no coração tudo o que foi bom e aceitar que nem tudo dura eternamente? Nem toda beleza dura para sempre e nem todo brilho continua brilhando no infinito. Alguns sentimentos acabam e tudo bem. Que possamos caminhar separados, com lembranças que nos unem, com a certeza de que somos seres humanos, falhos, mas que tentamos. E não somos monstruosos só por não conseguir carregar um amor pro resto da vida.

Lari Pandori e Bruna Frotté

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