A resenha de hoje é de um livro que reli agora. Tinha lido pela primeira vez em 2015, mas uma leitura não foi  suficiente para absorver tudo da história. O livro é arrebatador, me emocionei na releitura como se fosse a minha primeira vez lendo.

O tema é polêmico, um tabu, talvez um dos maiores da nossa sociedade, o incesto.

SINOPSE: Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis.
Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes.
Eles são irmão e irmã.
Com extrema sutileza psicológica e sensibilidade poética, cenas de inesquecível beleza visual e diálogos de porte dramatúrgico, Suzuma tece uma tapeçaria visceralmente humana, fazendo pouco a pouco aflorar dos fios simples do quotidiano um assombroso mito eterno em toda a sua riqueza, mistério e profundidade.

 

Dois adolescentes, abandonados pelo pai e com uma mãe que pouco participa do convívio familiar, carregando sozinhos o peso de cuidar de uma casa, administrar as contas, criar os três irmãos mais novos, lidar com a vida escolar e ainda com o medo de serem obrigados a se separar dos irmãos. Esse ambiente sofrido e conflituoso faz com que Maya e Lochan se tornem cada vez mais próximos, até se descobrirem apaixonados um pelo outro. Isso os deixa inseguros, com medo de que esse sentimento destrua tudo o que eles lutaram tanto para construir.

O sentimento estava lá havia anos, se aproximando da superfície a cada dia; era apenas uma questão de tempo até romper nossa frágil teia de negação, nos obrigando a enfrentar a verdade e reconhecer quem somos: duas pessoas que se amam – um amor que ninguém mais poderia compreender.

A história alterna a narração dos capítulos entre Lochan e Maya, isso permite que o leitor conheça a história mais profundamente, que entenda os sentimentos e as dores de cada um deles. O livro é um soco no estômago, é como ter o coração dilacerado a cada virar de páginas. No início me causou um estranhamento muito grande, nunca tinha lido nada com esse tema, e em função de ser um tabu tão grande, não é muito falado. Mas a sutileza da escrita de Tabita Suzuma, e a sensibilidade com que a história é conduzida, vai nos conectando com a dor dos personagens e esse estranhamento desaparece.

Não há leis nem limites para sentimentos.

“Proibido” não é uma bela história de amor, muito menos uma história de superação. É forte, intenso, doloroso e muito comovente. Consegui conter minhas lágrimas ao longo da leitura, mas no final do livro é impossível não chorar. Deixou um buraco no meu coração, continuo pensando nos personagens mesmo depois de ter concluído a leitura, é um livro que marca a gente.

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