Hoje vou falar sobre “O pintor de memórias”! Talvez o livro mais original que eu já li até hoje. É fato que só uma ideia boa não faz com que o livro seja bom, mas Gwendolyn Womack teve uma ideia sensacional e soube executá-la perfeitamente. Livros de estreia podem, sim, ser fantásticos.

 

Sinopse: Um amor que atravessa o tempo. Uma equipe de cientistas prestes a fazer uma grande descoberta sobre a construção da memória e um medicamento milagroso capaz de revelar um mistério antigo.
Bryan Pierce é um renomado pintor cujos trabalhos deslumbram o mundo. Mas há um segredo para seu sucesso: cada tela é inspirada em um sonho excepcionalmente vívido. Sempre que acorda, ele adquire novas e extraordinárias habilidades, como a capacidade de falar línguas obscuras ou um gênio inexplicável para o xadrez. A vida inteira Bryan se perguntou se seus sonhos eram apenas isso ou se seriam memórias, se ele estaria experimentando a vida de outras pessoas. Linz Jacobs é uma neurogeneticista brilhante, dedicada a decifrar os genes que ajudam o cérebro a criar memórias. Ao visitar uma exposição na galeria de uns amigos, ela se depara com a imagem de um pesadelo recorrente de sua infância e adolescência… em um dos quadros de Bryan. Linz localiza o artista, e o encontro dos dois desencadeia o sonho mais intenso do pintor: a visão de uma equipe de cientistas que, na iminência de descobrir uma cura para o Alzheimer, morre em uma explosão no laboratório. Bryan fica obcecado pelas circunstâncias estranhas que cercam a morte dos cientistas, e seus sonhos aos poucos revelam o que aconteceu no laboratório, assim como um mistério mais profundo que o leva ao Egito antigo. Juntos, Bryan e Linz começam a perceber um padrão em seus sonhos. E que há um inimigo mortal observando cada movimento deles que não vai parar enquanto não atingir seu objetivo.

Bryan é um exímio pintor, suas telas são fortes, intensas. Retratam os seus sonhos. Mais do que isso… Esses “sonhos” são visões que Bryan tem desde criança. Visões tão reais que ele assume a personalidade das pessoas com as quais ele sonha – chegando a aprender a falar o idioma falado por elas e a absorver todo o conhecimento que elas tinham.

A outra “protagonista” dessa história é Linz, que, de alguma maneira, compartilha dessas “visões” de Bryan. Ela descobre isso quando vai a uma exposição de arte e encontra retratado em uma das telas um sonho que a acompanhou (e assombrou) durante toda a infância.

Linz, que é uma famosa geneticista, procura Bryan e os dois vão tentar descobrir o que tem por trás desses sonhos, como é possível que eles compartilhem o mesmo sonho. Uma das mais recentes visões de Bryan envolve a morte de um grupo de cientistas durante uma explosão em um laboratório. Essa visão vai levá-los a descobrir muitas coisas, inclusive que existe uma conexão poderosa entre eles.

A escrita da autora e o trabalho de criação dos personagens despertam a curiosidade e fazem com que o leitor se conecte facilmente com a história. A narrativa, é em terceira pessoa, e varia o foco entre os personagens e alterna entre presente e passado, trazendo diversas passagens importantes da história mundial.

Quando ela se virou para ele, fitou-a, sem conseguir se desviar, enquanto reconhecia vidas inteiras escondidas naqueles olhos. Ao encontrá-la naquele momento, soube, sem sombra de dúvida, que as visões que o assaltavam desde a infância eram, na verdade, memórias […] seus sonhos eram peças de um passado que pertencia à sua alma.

A história é cheia de camadas, cheia de detalhes – aliás, é como se fossem várias histórias em uma só.  É um livro complexo, a autora fez um trabalho impecável: não tem nada fora do lugar, e tudo contribui para que a obra faça muito sentido. O resultado é um livro perfeitamente equilibrado, que mistura ficção e não ficção, doses de romance e mistérios da mente humana.

O final é bastante imprevisível e deixa algumas coisas em aberto, permite que o leitor imagine várias coisas, deixando um gancho para uma possível continuação – será?

Recomendo pra quem está procurando sair da mesmice e ter uma experiência de leitura extremamente agradável… Se você gosta de história recomendo mais ainda – mas se não gosta (que é o meu caso), isso não é nem de longe um problema.

 

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