Embora meu coração seja teimoso, fizemos um acordo a algum tempo, desde que você foi embora, precisei fazê-lo entender que não poderia mais cultivar um amor que não brotaria em outro peito além do meu. Ele entendeu, apesar da teimosia, logo foi ajeitando tudo, tirando para fora dele alguém que não voltaria mais.

O problema não é mais o amor, eu já me resolvi com ele. O problema é a danada da saudade que não quer ir embora de nenhum jeito. Já expliquei para ela que ela não me levará a lugar algum, que ela me paralisa, me sufoca e se disfarça tão bem que em alguns momentos á confundo com o amor e acabo pegando o telefone e quase discando o teu número ou quase batendo na porta da tua casa. Ela me impede de jogar fora a foto no porta retrato que guardei no interior do guarda-roupa, ela sopra frases no meu ouvido que martelam na minha mente com frequência: Como será que ele está agora? Será que passou naquele concurso? Será que comprou o moletom verde-escuro que tanto queria? Será que ainda pensa em mim?

Me pergunto essa danada também te visita de vez em quando e te faz discar meu número, ou procurar meu perfume no casaco vermelho que esqueci na sua casa. Quando estou muito esgotada de tê-la em minha companhia, rezo para que ela vá embora. Explico com paciência que sua presença não me faz bem algum e ela precisa encontrar o caminho de casa. O pior é que ela não me faz sentir falta dos grandes acontecimentos, das viagens, dos jantares nos restaurantes caros, dos buquês de margaridas, eu sinto saudades do simples, das suas palavras, do tom da sua voz quando me chamava carinhosamente pelo apelido que eu detestava, de dançar com você num sábado tedioso para levantar nosso astral, das infinitas temporadas de séries juntos, dos sonhos bobos e das risadas escandalosas.

O amor foi embora, mas a saudade continua aqui. E eu preciso que ela vá também, porque esse conflito interno me faz ficar parada esperando por alguém que não volta mais, me faz ouvir o telefone tocar e ficar procurando seu rosto pelas ruas, esse sentimento de falta não permite que eu me sinta mais. Eu preciso que ela vá embora, que encontre um novo peito para morar, um peito com mais fôlego porque o meu já está quase sem ar de tanto dividir o espaço. Eu preciso que ela vá, pois novos sentimentos virão, pessoas com expectativas baterão na porta tentando me conhecer e por hora tudo que tenho para mostrar são retratos de sorrisos que se desfizeram e memórias de um amor que não existe mais. Apesar do meu coração teimoso, o amor entendeu que precisava ir embora, então saudade vou falar mais uma vez contigo: Você também precisa partir. Pois eu preciso viver cada dia mais e tentar me lembrar cada vez menos.

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