Você foi embora. Você foi pra longe e nem se deu o trabalho de juntar suas coisas que ficaram aqui em casa. Eu também fui covarde o suficiente para não criar coragem e devolver suas camisas para sua irmã. É que elas são os únicos pedacinhos de você que me restaram e eu ainda não estou pronta para te deixar ir embora por completo.

Eu não sei em que parte da vida eu te perdi. Não sei o dia que você acordou decidido a não voltar. Não sei onde nos perdemos. Se eu soubesse, te traria de volta. A ideia de que você existe – e que não faz mais parte da minha vida – faz meu coração pulsar mais forte do que a frequência normal de batidas cardíacas de uma pessoa da minha idade. Mas, eu vou sobreviver.

Vai chegar o dia que não irei mais sentir a mesma falta que sinto agora. Eu sei que vou me curar de você. Vou ter forças para abrir a sua gaveta na cômoda do meu apartamento e não sentirei mais nada. Seu cheiro terá ido embora e só vai restar aquele cheiro de coisa velha, assim como o nosso amor, e eu não vou ficar me lamentando pelos cantos da casa, pensando no quanto tudo poderia ter sido diferente se você tivesse ficado.

Eu vou olhar para frente com os olhos de uma mulher madura, que aceita as situações que a vida coloca no nosso caminho. Se você foi embora, é porque não tinha mais motivos para ficar. Também não vou conviver com o falso sentimento de culpa, de que eu poderia ter feito algo por nós. Porque se mesmo depois de tanto tempo tudo que eu fiz por você não foi motivo suficiente para você ficar, nada mais seria. E, por mais que eu tivesse construído um castelo, você não ficaria, já que sabia que por você eu faria de tudo. Mas você não quis. Partiu no trem das sete, virou a esquina da minha casa e nem olhou por cima do ombro, nem notou minha silhueta na janela da sala que dá para rua.

Então, tchau. Vê se não volta mais. Porque quando eu me curar, de você eu já não vou querer mais nada. E não seja aquela pessoa que liga só para saber se tá tudo bem. Prefiro viver com a saudade do que tivemos, do que com a dúvida do que poderíamos ter sido. E nunca seremos nada além de só mais um capítulo. A dona do livro sou eu e nossa história já acabou.

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