“É um adeus?”, você me pergunta. E daqui desse lado, com lágrimas nos olhos, eu te respondo que é sim. E não pense você que está fácil chegar aqui e me despedir. Do momento que decidi redigir essas palavras para você até começar a escrever, foi um caminho árduo e passou um filme na minha cabeça de tudo que a gente viveu, de todos os momentos. Finalmente, eu comecei a enxergar quando eu tenho que admitir, para mim mesma, que o prazo de validade venceu. E que o nosso relacionamento não é aquele pão de forma que vence e você sabe que eu reluto em jogar fora, é muito mais que isso. Ele venceu, o tempo o estragou e agora ele não fará mal ao estômago como o pão de forma, e sim, em nossos corações — no qual você ainda faz morada.

Nosso relacionamento provou que amores à primeira vista dão certo. E não é porque acabou, que demos errado. Pelo contrário. A gente continua dando muito certo. Somos parceiros de vídeo-game, você me dá a mão quando assistimos filmes de terror, somos companheiros em ir ao bar que tem o litrão mais barato e a batata frita mais oleosa da cidade. E sair da balada bêbados e indo a pé para sua casa porque não temos nenhuma condição de dirigir. E a ressaca do dia seguinte? Dá-lhe água e remédio para dor de cabeça. Os meus amigos te amam e eu me dou muito bem com a galera do seu futebol. Você me liga às 5 da manhã dizendo que está com insônia e me conta da sua mãe que fez pão de queijo e ficou super brava porque seu cachorro comeu um. Inclusive, sua mãe é como se fosse minha segunda mãe e ela me trata como a filha que ela nunca teve. E minha mãe te paparica feito filho dela.

Não vamos terminar em meio a uma briga feia, uma discussão acalorada, na qual você sai falando que eu te traí e nem eu vou sair falando que você é um tremendo de um canalha. Até no nosso término, vamos continuar nos dando bem. Não vou mentir e dizer que depois disso eu vou tomar um banho e mandar no grupo das minhas amigas: “meus amigos voltei, eu tava ficando louca, bora beber que eu tô solteira de novo”. Vou precisar de um tempo para tentar me acostumar com a sua ausência. Eu não quero e nem vou, sair por aí a procura de um novo amor para preencher o vazio que vai ficar. Agora eu quero um tempo para entender o porquê que o amor tem essa mania danada de arrumar as malas, ir embora e nos deixar de mãos atadas, sem entender em que momento ele se tornou um filho rebelde que foge de casa.

Já que a gente se acostumou com a presença um do outro, sem a vontade de se beijar, de se desejar, de se querer, a gente acostuma a viver sem o outro. Vai ser difícil para ambos, afinal, apesar de tudo, nossa amizade prevaleceu. E foi isso que nos deu nosso ponto final. Foi acostumar com a nossa amizade, achar que estava tudo bem, mas ao mesmo tempo ver nosso relacionamento estacionado. E a gente ali, se acostumando só a sempre ter o outro. Estava ficando chato te dar desculpas para não ir dormir na sua casa, mas ao mesmo tempo eu sabia que você me chamava só para gente dormir de conchinha e não porque a gente se desejava feito homem e mulher. E nossos beijos? Estavam ‘xoxos’, sem emoção, sem coração acelerado, sem medo de beijar mal. Tanto é que nos últimos meses, a gente só se dava selinho. E selinho, eu dou naquele meu amigo homossexual. Aos fins de semana, a nossa vontade de estarmos com nossos amigos, era maior que aquele desejo de assistir um filme romântico juntos comendo pipoca.

Bom, por tudo isso que a partir de agora a gente segue essa caminhada, sozinhos. Agora você vai encontrar alguém para dar aqueles seus melhores sorrisos, para contar aquelas suas piadas sem graças e apresentar para seus amigos — doeu falar isso, mas eu preciso. E preciso te dizer que eu te desejo todo amor do mundo, toda felicidade do mundo e toda a alegria do mundo. Parece ser da boca para fora, mas não é. Acredite que apesar de termos chego ao fim, você ainda tem um lugar especial no meu coração e na minha vida. Você sempre será — como vem sendo nos últimos meses — meu “parça”.

Talvez a gente se esbarre por aí em alguma balada, bar, aniversários, na fila do pão ou parados no semáforo. E vou sorrir cada vez que te ver, mesmo que estejamos acompanhados por outros amores ou por algumas aventuras amorosas. O amor foi embora, mas nós ficamos acompanhados pelo carinho. E infelizmente, não foi o suficiente para nos sustentar. 

Adeus, fica com Deus, boa sorte e muito obrigada por ter me feito tão feliz e por continuar fazendo cada vez que me lembrar de nós. E antes de ir, o meu último — acompanhado de uma lágrima — eu te amo.

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