Não idealize o amor

Eu passei anos da minha vida acordando e indo dormir todos os dias esperando o momento em que eu iria me apaixonar desesperadamente. Achei que fosse acontecer no corredor da escola quando aquele cara gato do time de futebol derrubasse minhas coisas. Ou sei lá, fosse acontecer no café perto de casa, em um domingo à tarde, enquanto eu relia meu livro preferido. Ou que eu fosse esbarrar com ele no parque, pegar o celular dele por engano e me apaixonar por todas as fotos incrivelmente fofas que ele havia tirado do cachorro labrador.

Achei que ia ser selvagem tipo cinquenta tons de cinza, ou soft tipo amor e preconceito.

Sabe aquela paixão que te tira o fôlego nesses filmes, não importa o estilo ou como acontecem? As tão comentadas borboletas no estômago, sensação de estar morrendo todas às vezes em que fala com a tal pessoa, sentimento que esmaga, destrói e reconstrói?

Pois bem, foi o que eu achei que sentiria, imaginei, fantasiei.

Devem ter sido os contos de fadas, as princesas, os príncipes, as novelas, aquela história toda de que “todo mundo encontra a sua metade da laranja”, “a tampa da sua panela”, “o amor da sua vida”.

Eu sonhei com o cara perfeito, com o beijo perfeito, com o encontro perfeito. Mas nunca passou pela minha cabeça sonhar ao contrário. Imperfeito em todos os mínimos detalhes, bagunça dentro e fora da minha mente, borboleta de três metros voando dentro de mim, acelerando meu coração e me deixando sem fala.

Nunca que eu iria colocar a cabeça no travesseiro e pensar que o meu dia de cair durinha para trás, completamente apaixonada e desesperada não seria como eu queria e que não viria num cavalo branco e de armadura. Nunca que eu imaginei que ia vir embrulhado em um monte de confusão, medos, e inseguranças, mas que ia me fazer sentir segura, feliz e amada. Nunca que eu imaginei, vestida de princesa com direito a coroa e tudo, que meu grande amor poderia não ser do tipo encantado.

Não sei o que foi que eu fiz para ter uma surpresa dessas, mas que benção. Agradeço muito por ter vindo assim do jeitinho que veio, ser do jeitinho que é e ter me feito cutucar o meu “eu” lá dentro, só para poder me permitir viver não a grande história de amor que eu sempre sonhei, mas uma muito mais divertida.

Nunca que eu ensaiei que talvez eu não fosse morar em um castelo, mas fosse estar vivendo algo tão bom quanto, daqueles romances bem clichês mesmo, com direito a beijinho de boa noite na testa e tudo.

E é por isso que eu digo à vocês, o convencional é chato. Saber de tudo é chato. Sonhar e planejar cada detalhe da sua vida tira toda a graça da aventura que ela é. Foi sonhando demais que eu caí da cama de cara no chão e acabei descobrindo na marra que na verdade, o amor não precisa de grandes enfeites. Apenas precisa de duas pessoas que estejam dispostas a serem elas mesmas.

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