Diga-me

Queria muito saber como é ser você nesse momento.
Ver alguém que só sabia voar em suas assas, abrir as próprias para voar. E o principal, para longe de você.

Como deve se sentir ao ver que aquela na qual poderia chamar de lar no meio da madrugada está, na verdade,com as portas abertas para outro morador.
Como se sente dividindo espaço com o estranho? Refiro-me ao morador e ao seu lar, que com pouca frequência, acabou se tornando um lugar irreconhecível.
Diga-me sem segredos — pois sabe que se afogou em tantos que criou — como é ver alguém se desprender de você após um ano inteiro com medo de pular do precipício que criou nessa linha tênue entre amor e a liberdade.

Diga-me,como foi assistir ao seu pequeno pássaro abrir a gaiola que se prendia há tempos se lançando em meio ao mundo que nem sequer conhecia?
Diga-me,como foi pela primeira vez precisar de uma ponte para atravessar seu mar de ilusões.
Diga-me,como foi acordar dias acreditando que está na melhor fase da sua vida.
Diga-me — ou não — porque o seu grande amor não se importa, pelo menos, não mais.
Por amor próprio.
Por aprender a conviver com a saudade.
Por aprender a ter orgulho,assim como você teve tantas vezes.
Por entender que o amor pode ser imenso,mas ainda assim,não apaga as cicatrizes que nos corrompiam cada vez mais.

Por sentir que agora sim, estava pronto para abrir as assas e voar.
Diga-me — a curiosidade está grande — quero muito saber como é viver sem mim, pois eu já aprendi inúmeras vezes a viver sem você.

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4 Comentários
  1. Gabriel Braga Diz

    Muito bom, adorei

    1. Marcela Costa Diz

      Obrigada!

  2. Vânia Diz

    Perfeito !!!! Arrepiou!

    1. Marcela Costa Diz

      Obrigada!

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