Sobre o que realmente importa

Leia ao som de My Way

Olho para o passado recente e percebo quantas coisas mudaram nos últimos tempos. Mudança é sempre mudança. Seja boa ou ruim, ela sempre torna as coisas mais palpáveis e nos trás certa saudade do que éramos antes. Não sei se saudade é a palavra que define o que sinto, pois sei que mudei para melhor em um bocado de aspectos.

O relógio marca o horário que preciso sair, mais uma vez, para a rotina exaustiva de uma quarta-feira qualquer. Decido hoje ficar mais cinco minutos no sofá. Fecho os olhos é o silêncio toma conta do ambiente. Ouço o tic-tac do objeto, mas nada é capaz de cortar a sintonia que se criou com meu íntimo e o resto do corpo.

Quantas vezes conseguimos parar durante o dia para respirar? Uma vez, estava conversando com uma amigo e comentei que eu não sentia vontade de cumprir algumas coisas. Não me sentia no ambiente apropriado então ia adiando os momentos. Ele olhou pra mim e sorrindo disse: faça. Me exaltei um pouco, pois achei que ele estava brincando comigo, apesar de eu ter dado novecentas e trinta desculpas de porque não estava fazendo o que era meu dever. Hoje, consigo entender exatamente porque fazer.

Quando vamos receber uma visita importante em nossa casa, temos a mania de achar que nada é suficientemente bom para ela. O valor de algo não está necessariamente em ser o presente mais caro ou o local mais bem preparado. Devemos colocar empenho em tudo o que fazemos, mas não podemos deixar de dar importância para algo só porque não é exatamente como planejamos. Nossa casa nunca vai estar perfeitamente arrumada. Nossas roupas nunca vão estar perfeitamente alinhadas. Apesar de tudo isso, jamais devemos deixar de arrumar a casa, as roupas no guarda roupa, nosso coração.

Abri os olhos e haviam se passado dez minutos. O silêncio do ambiente ainda era presente mas tive que levantar. Não me arrependo de ter me atrasado uns minutos. Nem sempre aquilo que parece totalmente ruim de fato é. Podemos sempre olhar uma situação com os olhos de um professor – aquele que sabe tudo e já não precisa mais aprender – ou podemos ser os alunos – aqueles que estão dispostos a fazer as coisas, ficar feliz com os acertos e aprender com os erros -. Escolhi ser aluna. Escolhi precisar do silêncio para encontrar nas situações conturbadas as lições que preciso aprender.

2 Comentários
  1. Isis Diz

    Que texto incrível. Me li nas suas palavras. 💙

    1. Minerva Diz

      É maravilhoso saber que se identificou.
      Muito obrigada 😉

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