Sobre o fim

Leia ao som de Era uma vez

Conversando com um amigo esses dias, notei que as coisas não iam bem por lá. Não é diferente aqui, mas só por cinco minutos deixei isso de lado. Sua cabeça pendia para o lado e podia ver a quilômetros de distância o nó na garganta dele. Me aproximei devagar e tentei não dizer nada do tipo: ‘vai ficar tudo bem.’, ou ‘calma.’, pois nada disso funciona nesses momentos. Peguei seu rosto e apertei forte contra meu ombro. Senti cada uma das lágrimas quentes de seu rosto escorrer por minha blusa. Doía em mim também. É estranho, mas gostaria de ter aquele sofrimento e poder livrá-lo da lâmina que cortava lentamente cada uma das fibras de seu coração.

Um coração partido é algo que aproxima as pessoas. Meio irônico e até preocupante pensar assim, mas é a mais pura verdade. O termino de seu relacionamento não é algo que eu gostaria de ter presenciado.

-Provavelmente você nunca mais vai me ver chorar de novo.

-Eu espero mesmo. Não aguento mais vir aqui todos os dias e te ver com essa cara de enterro.

-É enterro mesmo. O amor morreu.

-Cala essa boca e me passa o café.

Doía ver ele falar aquilo. Aquele cara que me ouviu tantas vezes chorar por outros caras agora chorava por alguém também.

Passei algumas noites em claro tentando responder suas mensagens de ‘pós fim’, mas não obtive sucesso na maior parte das vezes. E então eu entendi. Um amor que se acabou serve de adubo para outro mais forte e bonito (e quem sabe duradouro) poder se instalar no nosso peito. Só se cria raiz onde tem terra boa.

-Vamos, vai ser legal.

-Tá doida? Eu não vou em uma festa, não hoje.

-Tu vai. Nós vamos.

Um convite aleatório pode ser algo que dá bons frutos. Naquela noite ele encontrou a ex, chorou um pouco – não digam que lhes contei -, mas na manhã seguinte algo inesperado aconteceu. Não sei ao certo qual o horário do estopim, mas cheguei às nove e as fotos já estavam todas no álbum. Ele me abraçou e disse que tinha feito planos para o fim de semana na casa dos pais e que uma nova menina ia. Fiquei feliz. Tu bem que eu não concordo com o fato de em tão pouco tempo ele já estar se aventurando, mas essa história nunca foi sobre mim, e sim sobre a importância da gente se deixar de lado lá de vez em quando e fazer aquilo que talvez não fariam por nós, não porque temos que ser os melhores e mais ‘bonzinhos’, mas sim porque quando amamos alguém vale a pena pegar o carro às duas dá manhã pra enxugar as lágrimas do outro, isso nos torna mais humanos.

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