Tive que aprender a ser feliz sozinha

Eu prometi para mim mesma num desses dias chuvosos em que a gente compra um pote de sorvete para assistir à um drama romântico que iria ficar um ano solteira, sem pensar em relacionamentos sérios ou qualquer coisa que me faça perder uma boa noite de sono.

Logo eu que sempre emendei um relacionamento em outro, não sabia passar uma tarde de domingo sem a companhia de alguém e nunca me dava um tempo para respirar antes de entrar de cabeça em um amor que prometia toda felicidade do mundo e que no fim só oferecia solidão.

Jurei de pé junto que amar seria só a mim e que toda forma de amor seria focada na minha vida, tanto pessoal quanto profissional. Pode parecer egoísta para quem está de fora e não conhece o coração de alguém que sempre pensa nos outros e se coloca em último lugar em todas as situações, mas não é. Não dava mais para esquecer minhas vontades em um canto e passar por cima do que eu sempre queria para agradar a todos. Então eu prometi tirar esse tempo para mim. Só para mim.

No início foi lindo. Saía de casa radiante, podia gastar meu dinheiro comigo mesma, comprando novas roupas, aumentando minha autoestima e confiança. Sentia que nada podia me abalar. Não tinha namorado para ligar insistindo em ir ao bar com seus amigos solteiros e loucos. Larguei meu telefone num canto, sem medo dele ligar e eu não estar perto para atender. Não sentia mais medo de ser magoada e de tudo que estava para acontecer. 

Eu aprendi a me cuidar, a voltar os olhos para as minhas vontades que eu nem lembrava que existiam. Me conheci novamente, descobri coisas que nem sabia que me fariam feliz e vi o tanto que isso era bom para mim. Saí com meus amigos, tomei um porre de vodka, virei a noite na balada e dancei até os pés ganharem calos. Aprendi a dançar forró, provei novas bebidas, aquelas que você dizia odiar e me impedia de beber. Viajei com a minha turma, conheci gente nova, ganhei mais amigos e não tive medo dos seus ciúmes. Até meus pais estranharam essa minha “solteirice” e não paravam de perguntar quem estava me deixando tão radiante assim. Eu só respondia: “Eu, gente. Eu posso ser radiante sozinha.”, e como era de se esperar, eles não acreditavam. Estavam tão acostumados a me verem chegando com alguém para almoçar no final de semana que não levaram a sério a minha promessa.

Até que um dia eu aceitei aquele convite da minha amiga para ir ao novo barzinho que estava bombando e te vi. Você estava sentado com os amigos e ria de alguma coisa que ressaltava suas covinhas na bochecha. Eu parei por um milésimo de segundo e te encarei, você me olhou de volta e a merda estava feita. Você me levou para casa no final da noite, trocamos os números de telefone. Essa era a primeira vez que eu tive contato com alguém, depois de quase oito meses sozinha. 

No outro dia, antes mesmo de abrir os olhos, pude ouvir meu telefone vibrar em baixo do travesseiro. Não esperava que fosse você, juro, achei que era só minha amiga mandando mais uma foto de um gato que ela achou perdida na internet, mas para minha enorme surpresa, era você querendo me ver de novo no lanche da tarde. E nesse simples convite tudo começou a desandar e sair do meu controle.

Eu perdi a noção de tempo e espaço do seu lado. Quebrei minha promessa e caí de cabeça novamente, mesmo com um pé atrás e um coração implorando para não sofrer novamente. Você me fez passar por cima de todas as barreiras que eu tinha construído em volta de mim, chegou derrubando esses muros altos que eu achava que seriam capazes de proteger de um novo amor. Provou ao meu coração que ele não sofreria mais, que sempre teria alguém em quem confiar de olhos fechados. Tirou meu medo de altura porque era onde me levava a cada encontro, me provou que eu podia me sentir viva mesmo acompanhada de alguém. De alguém de verdade. Eu ia aos céus sem tirar o pé do chão, sem medo de cair e sonhar. Seu carinho me embala nas noites frias e me conforta na madrugada antes vazia e sozinha. Meu coração conheceu a paz, a tranquilidade e como era bom amar sem sentir que algo de ruim estava prestes a acontecer. 

Minhas promessas foram inúteis? Não, de forma alguma. Sabe porquê? Elas me levaram até você. Me levaram a um caminho que no final eu te encontrava. E antes disso acontecer, antes de trombar com você, eu me conheci. Eu precisava passar por esse caminho para lembrar de quem eu costumava ser e assim, você apaixonou por quem eu realmente sou. Eu não preciso me moldar ao seu modo, você gostou de todos os meus jeitos, aceitou meus defeitos e soube conviver com cada um. Mostrou o que é amar de verdade, como é ter alguém que não mede esforços para te ver feliz e estar presente na sua vida. Alguém que eu estava procurando há muito tempo, mas que precisei aprender a ser feliz sozinha para depois dividir a verdadeira felicidade com você.

1 comentário
  1. Quel Póvoas Diz

    Esse texto <3 Parabéns Mariii

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