Textos e resenhas literárias

Desculpa, mas eu não sou o amor da sua vida

Não sei te dizer ao certo o dia que a gente acabou. Não sei quando foi que eu te olhei e não senti mais nada. Não lembro quando eu parei de sentir aquela saudade gostosa que todo casal apaixonado sente, antes do final de semana chegar. Talvez eu tenha acordado um dia qualquer e percebido que nossa história nunca era para ter acontecido. Simples assim. Ou então, ela se desgastou tanto que eu perdi a fé. Parei de acreditar nas suas promessas de que você mudaria e tudo ficaria bem.

A gente não se entendia mais. Eu falava A e você ouvia Z. Somos opostos imperfeitos que nunca foram feitos para durar. Eu não cabia mais na nossa história e hoje me questiono como conseguia me encolher tanto só para fazer parte de você.

Tentei. Tentei por muito tempo te agradar. Me refiz várias vezes só para te ver feliz, mas no final das contas, todas as minhas reformas não eram suficientes para você. Desisti de sonhos, abri mão de pessoas e caminhos só para caminhar do seu lado. Eu cansei, sabe? Cansei de ser nula o tempo todo nessa operação. A gente é feito para somar. Eu precisei te subtrair.

Você é o tipo de erro que a gente só comete uma vez. Para mim já deu. Acabou. Acabamos. O fim chegou pra gente. Desculpa, mas eu não sou o amor da sua vida. É, eu achei que era. Sei que te disse isso várias vezes, mas eu me enganei. Não posso ser seu amor.

Não sinto mais saudades. Não lembro o som da sua voz e não sinto mais o seu cheiro no meio da rua, em outras pessoas. Não tem mais espaço aqui para você ficar. Já ocupei aquela gaveta que costumava ser sua e não tô afim de reorganizar o guarda roupa. Muito menos o coração.

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1 comentário
  1. José Guilherme Diz

    Um coração que pulsa e escreve, capaz de traduzir em palavras sentimentos tão fortes e reais, não é apenas uma bomba de sangue: é uma caixa de Pandora – ao abri-la, emerge-se tudo, até mesmo a esperança de ser o grande amor de um outro alguém.
    Belo texto.

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