Textos e resenhas literárias

O acaso me deixou

Quando eu era menino, minha mãe dizia:

“Escolha bem o seu amor.”

Isso me fez acreditar que o amor torna as pessoas fracas. Eu vi o relacionamento dos meus pais e eu desejei nunca amar. Não amei. Não permiti que alguém se aproximasse de mim, ou qualquer sentimento de afeto. Até perceber o quanto a vida era vazia e sem graça sem amor.

Quando eu via outros casais, quando eu pensava que certo alguém podia ser especial, tudo divagava.

Eu me permiti amar, isso foi um fato e não um erro. O erro foi permitir você me amar, e esperar que isso acontecesse. Eu fiquei esperando por você, onde você dizia que iria estar, mas você nunca veio.

Você disse que estava frio pra mim agora e que pegaria as minhas mãos e colocaria nos bolsos do seu casaco, mas eu vi o sol se pôr sozinho aquele dia, eu vi você esquecendo-se de mim. Eu disse que era importante pra mim e você não se importou.

Meu coração estava inteiro pra você, mas você usou isso pra me aprisionar, dentro dos meus próprios sentimentos. Você não foi justo ao dizer que procurava um amor e então eu te dei o meu. Você se embriagava dos meus beijos mas não me ligou no dia seguinte, por quê menininho? Por que você não me amou de volta?

Eu estou voltando pra casa, eu estou voltando sem você, pensando em você. Eu estou chorando agora e as lágrimas não cessam. Eu não posso acreditar que você me deixou ali, sozinho, pra ver o sol se pôr no mar.

Eu não quero mais amar e isso não tem a ver com você. Mas estou trocando meia dúzia dos seus beijos por uma pitada de amor próprio. Eu estou guardando pra mim o amor que aprendi vendo os meus pais.

Meus amigos gostaram de você, eles disseram, e perguntaram por você. Eles querem nós, mas nunca houve nós, sempre foi eu *espaço* você, numa sintonia de dar inveja, numa desarmonia que ninguém podia entender.

Eu estou voltando pra casa, sem você, pra ver o sol amanhecer no horizonte dessa vez, não no seu sorriso.

Eu estava lá, e você apareceu pra mim. Exatamente assim: eu estava lá e você estava lá pra mim também. Você me abraçou e eu o beijei.

Se eu te pedisse pra ser o meu amor? Se eu te pedisse para ficar? Estaria pedindo demais?

Está frio agora e a ideia de te ter aqui não me aquece mais. Aquele álbum do The Neighbourhood que você me apresentou, lembra? Não quero mais ouvi-lo tocar, ele me lembra o amor que você não me deu, eu agora sou só o garotinho que tem problemas com os pais.

Você dizia que não era um cara como os outros, usava isso em sua biografia. Mas você sabe que é o pior deles, você sabe que me levou as nuvens e me deixou lá sozinho. Você tem medo de se envolver, então fez o que sabia de melhor e foi embora. Você usa o corpo como arma, não confio em você. Não confio no seu olhar de predador. Você me fez acreditar que eu podia ser especial… Bom, nisso você acertou, eu sou especial, e eu vou fazer o meu melhor. Você está pronto pra isso?

Eu esperava viver uma grande aventura com você. Eu esperava que o nosso Efeito Borboleta nunca tivesse fim e que, como o tornado que levou a Dorothy Gale ao Mágico de Oz, nós tivéssemos uma grande aventura juntos. Você deveria saber, menininho, que se você me ligasse às três da manhã de um domingo pra te tirar da cadeira, que eu seria capaz de qualquer coisa por você.

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