Textos e resenhas literárias

No tempo certo

Leia ao som de Amei Te Ver

Consigo lembrar da época em que era loucamente apaixonada por ele. Nunca esperei nada, mas sempre estive ali, pronta para qualquer situação em que tivesse que reerguê-lo do chão ou apenas dizer que tudo ia ficar bem. Notei depois de um longo tempo – e algumas pessoas me dizendo isso quase todos os dias – que as coisas nem sempre são como a gente espera – não entenda isso como aquelas frases de gente que acha que “tudo sempre da errado”-. A  não correspondência de nossas expectativas é algo muito natural e demasiadamente libertador quando somos surpreendidos por algo/alguém.

Aquele ser humano por quem meu coração batia aceleradamente – como um trem quase descarrilhando perto de um precipício – me envolveu em seus braços por bastante tempo sem saber que algo aqui dentro acontecia – quase como uma novela mexicana cheia de choros, raiva e amor – e não tinha  uma bola de cristal para adivinhar. Como poderia cobrar algo dele se, afinal, nunca disse nada.

Gostaria de ter falado antes se tivesse me dado conta de como é libertador. Só que sei que aquele tempo de espera foi necessário. Às vezes, é preciso ficar deitada no sofá de casa, devorando um pote enorme de açaí e imaginando cenas bonitinhas de passeios e não necessariamente estar com alguém vivendo isso. Precisamos administrar bem as coisas dentro de nosso coração antes de jogar aos quatro cantos do mundo – como o som ensurdecedor da bateria daquela banda de rock que gosto de ouvir quando minha amiga esta junto – que a minha mão escorregava devagar pela calça jeans pra secar o suor de nervoso que tinha quando sabia que ele iria
chegar.

Podemos ouvir muitas pessoas, mas no final das contas, quem decide o momento em que algo não cabe mais em nosso peito somos nós mesmos. Ironia minha seria dizer que tudo já saiu da minha cabeça, mas posso afirmar que a espera para dizer algo é o mais prudente. Querendo ou não, depois que as palavras saem de nossa boca estamos sujeitos ao “sim”, “não” ou ainda o “talvez” e nesse momento  precisamos estar de bem conosco mesmo antes de dizer: te quero bem, mas te quero também ao meu lado.

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