Textos e resenhas literárias

A carga de carregar no peito alguém que quis ir embora

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Acabou.

Passou.

Já foi – pelo menos temporalmente.

Você permanece aqui e sua risada ainda ecoa pelos quatro cantos do meu coração.

Ainda tenho fotografado na memória seu sorriso e cada detalhe do teu corpo – eu ainda lembro daquela tua manchinha no dente e do teu cabelo revolto no topo da cabeça.

De tantas coisas que eu precisava esquecer, sua voz foi uma das que bateu o pé e disse que não vai embora tão cedo.

Alguns momentos, confesso, foram se apagando.

Foram criando borrões.

E talvez hoje eu já nem me lembre corretamente de como aconteceu.

Mas os que restaram fazem com que meu coração continue gritando pelo teu nome.

Faz com que eu deite a cabeça no travesseiro e pense nas risadas que eu dava só por ter você por perto.

Eu era boba, sabe?

Parecia uma criança quando ganha algum doce e fica feliz da vida.

Você era o meu doce.

Eu me achava tão estúpida quando no meio da rua recebia uma mensagem sua e antes mesmo de abri-la dava um sorriso que percorria quilômetros de distância.

Confesso que boba eu ainda sou, porque continuo a sorrir quando penso em nós dois, mas logo sou tomada pela dura realidade atual.

E ela é avassala(dor)a.

Ainda há dias em que me sinto ridícula por não ter insistido um pouquinho mais na nossa história.

N’outros me acho uma idiota por ainda permitir que o sentimento teime comigo em querer permanecer e ainda vença essa briga.

De qualquer forma o que mais pesa nisso tudo é a sua falta de me proporcionar os bons momentos que só você conseguia.

Eu queria poder não sentir esse peso todo que é ficar sem você.

Queria poder sentir menos a ausência ensurdecedora que você faz aqui no meu coração.

Mas eu sinto.

Sinto tanto.

Sinto muito por não termos conseguido superar.

Por permitirmos que gente de má fé colocasse o olho gordo no que tinha tudo para ser um casal completo.

Por optarmos por desatar o nó bagunçado que nos unia.

Eu sinto muito por você não ter conseguido lidar com o peso de amar alguém.

Eu te amei.

Eu te amo.

E todos os dias lido com o peso de amar alguém que não soube amar e preferiu ir embora sem ao menos tentar.

Todos os dias eu lido com o fardo de ter que procurar em outra pessoa tudo o que eu encontrei com você e em você.

E essa é a pior carga que alguém poderia carregar: ter que procurar em outro o que já achou em alguém que não quis ficar.

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