Textos e resenhas literárias

Os dois lados de um amor no carnaval

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Sábado a noite. A cidade era iluminada pela lua e o som de bares ecoava pela grande avenida.
Cada alma brilhando de sua forma. Clara. Escura. Colorida.
Quase apagada.
Essa era a dela.
Uma menina perdida nas cores ao seu redor, ela não mais brilhava.
Não mais sentia.
Naquela noite foi obrigada a sair de casa e ir viver uma noite de carnaval.
Você vai amar a folia” disseram suas amigas. Ingênuas.
As risadas daquelas garotas histéricas chamavam a atenção do local.
Ela, com sorriso discreto, esperava ansiosamente pelo final da noite.

Sábado a noite e ele dava continuidade em mais uma noite de folia.
“Vamos naquele bar da paulista, vai ter carnaval hoje”
Horas depois lá se encontrava o garoto pronto para curtir com os amigos.
Lugar lotado.
As risadas de uma mesa cheia de meninas ecoava no local.
Mas foi aquela — que quase não participava da noite — quem chamou sua atenção.

“Acho que seu jeitinho conquistou alguém”
A melhor amiga da garota apontava para um cara que entrava no local.
Alto.
Moreno.
Com barba.
Animado demais.
Nem um pouco do tipo que a garota gostava.
“Duvido”
Dizia ela — mais uma vez — fazendo de si pouco caso, mas na verdade, ela era o acaso mais procurado entre as multidões de corações para serem completados.

Ele observava a menina mexendo com o canudo sem interesse nenhum no mundo em sua volta.
Ela era loira.
Cabelos longos.
Sorriso que lhe encantou.
Roupas que destacavam suas curvas.
Quieta.
Nem um pouco parecida com as garotas que costumam chamar sua atenção.
Ele não sabia o motivo mas queria muito desvendar aquela garota que discretamente o observava, e no próximo segundo, ele já se encontrava seguindo a mesma subindo as escadas.

Ela subia sozinha as escadas para ir a varanda no terraço do bar.
Quando estava no topo da escada percebeu alguém atrás de si e rapidamente se virou e a tal sombra quase despencou escada a baixo com o susto que levou.
Ele.
Desculpa” ela disse sem jeito olhando nos olhos dele.
Claros. Tão claros que sentiu por um segundo que poderia se afogar no mar que parecia haver neles e ainda assim não reclamaria.

Tudo bem” ele deu seu melhor sorriso e a menina pareceu sem graça com seus pensamentos bobos.
Ela voltou a caminhar.
Ele continuou a segui-la.
Ambos sem jeito.
Ambos com um objetivo em comum.
Descobrir porque o incomum chamou tanta atenção.

Ela se perguntava porque entre tantas meninas nesse local, foi logo a ela, quem ele quis seguir.
Chegaram a varanda, e por sorte — ou destino — só tinha um casal.
Ela foi até o parapeito olhar o movimento de cidade grande num dia de carnaval.
Cheio. Gritarias. Musicas. Felicidade.
Tudo bem se eu ficar aqui contigo?” Ele disse se apoiando ao lado dela olhando para o movimento também.
Ela assentiu com a cabeça.

“Porque está aqui em cima e não se divertindo com as suas amigas?”
Perguntou o garoto tomando um gole da bebida em suas mãos.
“Esse lugar não é muito a minha praia”
A voz da menina era macia.
“E porque você está aqui em cima e não se divertindo com teus amigos?”
Ela o observava de modo desconfiado. Ele a encarou.
“Porque de alguma forma pude sentir que você era a minha praia.”
Ele sorriu ao observar os arrepios que causou nela com a resposta.
Ela não fazia ideia do quão linda era.

Entendi
A menina envergonhada olhou para o casal ao seu lado e resolveu arriscar — pelo menos uma vez na vida —a dizer o que se passava em sua cabeça.
Ela tinha a certeza que isso — o que quer que fosse — não passaria dessa noite.
“Talvez eu realmente possa ser”
Ele pareceu surpreso com a resposta.
“É?”
Ela percebeu um leve sorriso nos lábios do garoto que encarava a cidade que parecia não querer dormir está noite.
Tocaram as suas mãos de leve.
Frente a frente.
O mundo exterior parecia ter ficado sem som.
Ele se aproximava dela.
Ela não se queixou da recém proximidade entre eles.
Olho a olho.
Os lábios se tocaram
E a folia que estava lá fora,
agora se encontrava dentro deles.

Ela era incrível, e não fazia ideia disso.
O garoto sentia a necessidade de mostrar a ela que a beleza que tanto procurava no mundo estava dentro de seu coração.

Ela não o conhecia, mas ele parecia ser a luz que tanto procurei no mundo.
Não era escura.
Não era clara.
Não era colorida.
Era diferente.
Era diferente como a dela.

Qual seu nome?”
Perguntou a menina curiosa — ou talvez com medo de que de alguma forma ele fosse embora correndo como a Cinderela e não deixasse para trás uma forma de encontra-lo novamente. Ela precisava encontra-lo novamente.
“O amor da sua vida”
Eles riram em sintonia.
“E o seu?”
“Acho que você terá tempo o suficiente para descobrir”
Ela respondeu e seus lábios se tocaram novamente.
Aquela semana
Aquele mês.
Aquele ano.

Aquele carnaval
E em todos os outros.

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