Textos e resenhas literárias

Minha intenção não era te incomodar, mas eu não vou mudar

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Eu sou a overdose de exagero. Meu batom predileto é vermelho tomate. Mas tem dias que nem maquiagem faço e nem penteio meu cabelo. Funk é meu ritmo preferido — sim, para descer até o chão. Amo café puro, sem açúcar. Falo alto e confesso, que às vezes — só às vezes — eu percebo que passei do volume e tenho que maneirar. Perdi as contas de quantas vezes achavam que eu estava no meio de uma discussão e era apenas uma conversa normal — podia estar falando sobre a novela das oito, por exemplo.

Minha risada nem preciso comentar. Ela é alta e ela tem uns picos diferentes. Por exemplo: dou uma bela gargalhada, depois ela se torna silenciosa e por fim, retomo o fôlego e ela novamente explode. Eu não sei rir pouco. Entre 8 e 80, eu sou 100.

Danço no supermercado, canto dirigindo e finjo que estou num clipe. Passo vergonha, dou “palas”, rio na cara do perigo e me entrego de corpo e alma a tudo que vier ao meu encontro nessa vida cheia de caminhos malucos. Eu não tenho medo da intensidade, tenho medo da superficialidade. Não me amedronto pisando em nuvens, porque as pedras machucam mais nossos passos.

Acordo todos os dias espreguiçando, agradecendo por mais um dia, danço escovando os dentes e ainda são 7 da manhã. Faço dos dramas e terrores da minha vida, filmes de comédia. Transformo as minhas decepções amorosas em comédias românticas — que até hoje não tiveram um final feliz, mas e daí? As transformo em uma trilogia.

Eu não sei amar pela metade. Não sei gostar ou desgostar de alguém. Ou eu amo por inteiro ou eu odeio por inteiro, também. Tenho milhares de sentimentos dentro de mim e aqui dentro bate um coração exagerado também. Quando bate aquele dia em que as lágrimas escorrem, faço tsunami em cima da tristeza. As afogo com lágrimas e não com bebida — e funciona.

Tenho a imensa vontade de querer colocar as pessoas em potinhos. E não é obsessão por elas, mas sim, amor demais da conta. Coloco todas as pessoas que me trazem o bem, debaixo da asa e levo comigo. E meu combustível? O sorriso de cada uma. Amo dias de ventania. De muito sol. De muita chuva. Dias de “tempinho agradável”, dias que só ameaça chuva ou ameaça sol, não são comigo. Não tenho paciência nem pra indecisão do tempo.

Já ouvi falar sim que meu jeito incomoda, mas cheguei a conclusão que tem algumas pessoas que tem medo da felicidade do outro. Que tem medo de ser aquilo que quer ser. Acredito que se todos fossem intensos e vivessem como “der na telha” sem se preocupar com o julgamento alheio, não teriam esse receio.

Eu não posso mudar o que exatamente eu sou. Eu não posso me esconder por detrás de uma capa protetora na qual blindo tudo que sinto e faço.

Minha intenção não era te incomodar, mas eu não vou mudar. Me desculpa, mas eu vou continuar sendo overdose de exagero. Eu não posso ser responsável por aquilo que você pensa sobre mim, mas sou responsável pela minha felicidade. E ela só existe quando eu sou esse vulcão prestes a entrar em erupção.

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